Imagem capa - A primeira vez que andei de avião por Caio Mayer Fotografia
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A primeira vez que andei de avião



Eu venho de uma pequena e humilde família de grandes trabalhadores, boa parte dos componentes da minha família são empreendedores, tocam suas próprias vidas como a minha mãe e o seu salão de beleza em casa, minha avó com seus deliciosos pierogis, meu falecido avô com sua brilhante oficina de peças sempre conquistando seu pão de cada dia sem ostentações, sem precisões em ter muito dinheiro ou bens materiais acumulados. Logicamente que eu herdei essa capacidade de empreender deles, pois também sou um pequeno empreendedor e tenho liberdade e controle das minhas escolhas, isso é comprovado porque não preciso bater o ponto para ninguém todas as manhãs a não ser para mim mesmo.


Mas porque essa introdução? Onde quero chegar com esse papo?


Bem, vou contar uma história que durante anos e mais anos da minha vida reflito sobre ela e quando há oportunidades relato para meus amigos ou para aqueles que precisam ouvir para dar aquela animada nos seus sonhos… 


Cresci, vivi e vivo fã do cinema! Cinema para mim é uma das poucas coisas que não me deixa angustiado em ficar horas e horas na frente da TV porque eu amo de todo meu coração! Quando era criança assistia muito filme, pedia alguns trocados para minha mãe para poder ir até a locadora e alugar alguns filmes e se me recordo bem lançamentos tinha que entregar no dia seguinte e não lançamentos acho que era 2 ou 3 dias que ficava com o filme, e sim, eu era daqueles que voltava as fitas e assistia o filme novamente por inúmeras vezes, até ter que devolvê-lo. Eu via lugares surreais nas cenas, ficava vislumbrado com a capacidade cultural do mundo, de tão intenso que por vezes me sentia personagem daquele ou de outro filme. Mas eu não era, eu não fazia parte daquilo, em hipótese alguma eu acreditava ter chance de um dia ir para fora do Brasil passear ou trabalhar, isso era até uma piada se cogitássemos o assunto entre amigos.


Dentre todas essas coisas que os filmes me faziam flutuar, a coisa mais simples de tudo era aquilo que mais estava na minha cabeça, uma pergunta inquietante na minha mente que durou muitos e muitos anos. Na minha infância isso era um assunto para discussão e projeção de como seria, será que dava medo, será que dava frio na barriga, como seria lá em cima, as nuvens realmente não era algodão doce… Várias e várias questões de como seria ANDAR DE AVIÃO.


Parece besta né? Mas não é, para muita gente assim como era pra mim, isso era uma realidade inalcançável. E foi inalcançável até quando voei pela primeira vez. Eu sei que muitos não terão paciência para ler isso aqui, mas não tenho a intenção que todo mundo leia esse relato, isso é uma forma de eu manter as minhas memórias em palavras também, de todos os sentimentos mais intensos que tive até hoje e andar de avião pela primeira vez foi uma coisa que vivi 22 anos da minha vida duvidando que um dia eu poderia desfrutar dessa sensação.


Meu destino era São Paulo para um congresso de fotografia de casamento, eu já havia ido no ano anterior mas não tive coragem de encarar um avião, primeiro porque estava exorbitantemente caro e segundo porque eu tava me cagando de medo. Mas rolou, 28 de abril de 2015 eu voei pela primeira vez e eu nunca vou esquecer. 


Era por volta das 5h da manhã e eu já estava no aeroporto Afonso Pena em Curitiba pois minha saída estava marcada para as 5:45, então lá foi eu acompanhado de uma pequena malinha de mão, uma mochilinha nas costas com alguns utensílios eletrônicos, pouca grana, tentando entender o que era portão de embarque e para que lado as plaquinhas de fato mostravam a direção correta, uma ansiedade sem tamanho porque não sabia o que estava me esperando e se eu ia chegar no lugar certo hahahahahahaha, bizarro mas é real… Ahhhh e um detalhe mega importante, eu não tinha internet móvel no meu celular e ficar dependendo de wifi naquela época era complicadíssimo. Mas eu fui, com a cara e com a coragem!


Embarquei naquele trambolho, encontrei o meu assento, sentei uma fila mais para trás do que deveria causando aquele alvoroço para trocar com uma galera querendo sentar de uma vez ou acomodar suas bagagens hahahahaha mas é a vida. Logo, veio aquela pergunta que provavelmente todas as pessoas do mundo se pergunta quando pensa no assunto: como isso aqui fica no ar? Não é possível! Mas eu estava ali para tirar a prova real de que voava mesmo e não era mentira.


Precisamente as 5:45 o boing 737 da Tam (atual Latam) começou a se mover! E lá vai o Caião se borrar todo na sua primeira vez andando de avião hahahahahaha.


Foi incrível!


Quando decolou, primeiro veio aquele frio na barriga de quando o avião acelera mas foi, o sol estava nascendo, Curitiba como de costume estava nublada mas quando aquele pássaro gigantesco passou pelas nuvens o sol veio de encontro ao meu rosto, passando pela janela e eu comecei a ver aquilo tudo, as casinhas ficando pequenas, carros parecendo formigas, um mar de nuvens no horizonte e o astro mais lindo do mundo, o sol, brilhando com todo seu jeitão dourado de ser e iluminando aquele momento de ouro da minha vida. Chorei! Quietinho e escondido no meu óculos de sol para que não me julgassem mais do que já estavam por eu errar meu lugar, chorei! Fiquei com dor no pescoço de ficar olhando só pra fora porque aquilo era e é surreal!


A única coisa que foi triste é que foi rápido demais, mas aqueles 45 minutinhos me marcaram de tal forma que me fez estar expondo isso aqui, cinco anos depois. Eis que chegou o momento tão esperado do pouso, que todo mundo fala que é a pior parte e eu concordo, dá um medo sim! Desci em Congonhas, no meio de todos aqueles prédios e mais uma vez eu via aquelas cenas e não acreditava no que tava rolando na minha vida. Depois dessa primeira vez, vieram muitas e muitas outras vezes que pude desfrutar de viagens de avião, algumas tão longas que enjoa facinho de ficar lá dentro hahahaha, mas alcancei o que desde o princípio seria inalcançável. 


Esse relato de forma alguma tem a intenção de “aí meu Deus, coitadinho” JAMAIS! Esse relato tem a intenção de primeiro, registrar um acontecimento icônico da minha vida, e segundo, dizer pra você acreditar no quanto a vida pode te surpreender. Não se trata de sonhos, do tipo voar era meu sonho, não! Eu nem sonhava que um dia viajaria de avião e quem dera para fora do país, isso era fora da minha realidade ou da concepção sobre a nossa realidade. Mas a vida chega e nos surpreende, simples assim.

A vida chega no nosso ouvido e sussurra: você pode mais! Acredite se quiser!


Alguns fingem que não ouvem para não se dar o trabalho de lutar por algo a mais daquilo que já tem disponível, saia dessa. Ouça o que a vida tem pra você, e o principal, aceite e lute por tudo aquilo que você merece.